Com a presença de médicos, equipe da Epidemiologia e Vigilância em Saúde, Hospital Regional do Litoral, veterinários e outros profissionais da área de saúde, foi realizado nesta quarta-feira, 17, encontro para debater sobre a incidência casos, notificações, diagnóstico, exames e tratamento de esporotricose, na Secretaria Municipal de Saúde. Na manhã de quinta-feira, 18, outros profissionais também se reunirão para dar continuidade ao debate sobre o tema.
“Marcamos esses encontros para que o assunto seja debatido, para reforçarmos a importância das notificações e trocarmos experiências sobre a doença que acomete humanos e animais”, informa a superintendente de Vigilância em Saúde, Marianne Gomes.
Casos de esporotricose têm sido registrados em diversos Estados e municípios. Em Paranaguá a situação não é diferente com notificações de pessoas e animais acometidos pela doença. Não há vacina para evitá-la, mas quando diagnosticada previamente, o animal pode ter uma vida normal sem sintomas. Nos humanos também é possível o tratamento.
A esporotricose é uma micose subcutânea, de caráter subagudo ou crônico, causada por fungos do gênero Sporothrix. A infecção se dá principalmente pelo contato do fungo com a pele ou mucosa, por meio de inoculação traumática decorrente de acidentes com espinhos, palhas ou lascas de madeira, contato com vegetais em decomposição, ou arranhadura e/ou mordedura de animais doentes.
“As pessoas podem contrair a micose ao cuidar de um jardim, por exemplo. Tanto o animal como o humano podem ser portadores. O ideal é notificar o caso e realizar o tratamento corretamente”, observa a superintendente de Vigilância em Saúde, Marianne Gomes.
A doença se manifesta quando há contato dos fungos com partes mais profundas da pele, por meio de um corte. Também conhecida como “doença de jardineiro” ou “doença da roseira” – porque era registrada somente em zonas rurais e em pessoas que lidavam diretamente com plantas ou terra –, passou a assumir outro perfil, especialmente em regiões Metropolitanas.
O médico veterinário que atua no Setor de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Eduardo de Alcântara Klüppel palestrou sobre o tema. “O encontro é enriquecedor para fortalecer o vínculo entre os médicos e médicos veterinários no enfrentamento de um problema de saúde pública que já é realidade nas regiões sul e sudeste do país como saúde única. Já temos casos confirmados no município de Paranaguá e reforçamos no encontro a relevância da notificação desses casos para que a prevenção e tratamento ocorram de maneira célere. Lembramos ainda que a notificação já é obrigatória desde 2016 no Paraná”, enfatiza.
SINTOMAS
Em humanos, os sintomas da esporotricose aparecem após a contaminação do fungo na pele. O desenvolvimento da lesão inicial é bem similar a uma picada de inseto, podendo evoluir para cura espontânea. Em casos mais graves, por exemplo, quando o fungo afeta os pulmões, podem surgir tosse, falta de ar, dor ao respirar e febre. Na forma pulmonar, os sintomas se assemelham aos da tuberculose.
Mas o fungo também pode afetar os ossos e articulações, manifestando-se como inchaço e dor aos movimentos, bastante semelhantes ao de uma artrite infecciosa. As formas clínicas da doença vão depender de fatores como o estado imunológico do indivíduo e a profundidade da lesão. O período de incubação é variável, de uma semana a um mês, podendo chegar a seis meses após a inoculação, ou seja, a entrada do fungo no organismo humano.
Em animais os sintomas mais comuns são feridas profundas na pele, geralmente com pus, que não cicatrizam e costumam evoluir rapidamente e espirros frequentes.
PREVENÇÃO E CONTROLE
A principal medida de prevenção e controle a ser tomada é evitar a exposição direta ao fungo. É importante usar luvas e roupas de mangas longas em atividades que envolvam o manuseio de material proveniente do solo e plantas, bem como o uso de calçados em trabalhos rurais. Uma boa higienização do ambiente pode ajudar a reduzir a quantidade de fungos dispersos e, assim, novas contaminações.
Se o animal de estimação apresentar a doença, deve ser isolado e receber o tratamento indicado pelo médico veterinário, não devendo ser abandonado, maltratado ou sacrificado; caso o animal morra, seu corpo deverá ser incinerado e não jogado no lixo, nem deixado ou enterrado em terrenos baldios, pois a contaminação do solo irá manter o ciclo da doença.
O ideal é que os animais não saiam de casa, evitando, assim, que contraiam esta ou outras doenças e as transmitam, tanto para humanos como para outros animais.
PREFEITURA DE PARANAGUÁ
A Secretaria Municipal de Saúde por meio do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) disponibilizou no site da Prefeitura de Paranaguá, www.paranagua.pr.gov.br um link para notificações de casos de esporotricose.
Veterinários, tutores de animais e população em geral poderão indicar casos que possam ser da doença de forma rápida e totalmente online.